Brasil - Segunda, 27 Fevereiro 2017

O Planeta Vermelho não é um Planeta Morto

A situação parece desoladora, mas a pesquisa publicada hoje na Science Express revela uma nova esperança para o Planeta Vermelho. A primeiro detecção definitiva de metano na atmosfera de Marte indica que Marte ainda está viva, tanto no sentido biológico quanto no geológico, de acordo com uma equipe de da NASA e cientistas da universidade.

 

"O metano é rapidamente destruído na atmosfera marciana de várias formas, assim a nossa descoberta de substanciais nuvens de metano no hemisfério norte de Marte em 2003 indica que algum processo em curso está liberando o gás", afirma o autor principal Michael Mumma do Goddard Space Flight Center da NASA. "Em meados do verão norte, o metano é liberado a um ritmo comparável à grande quantidade de hidrocarbonetos que se infiltram no Coal Oil Point em Santa Barbara, Califórnia"

 

 

Direita: Uma concepção artística de uma possível fonte geológica do metano marciano: água subterrânea, dióxido de carbono e o calor interno do planeta se combinam para liberar o gás. [Animação]

 

Metano - quatro átomos de hidrogénio ligados a um átomo de carbono - é o principal componente do gás natural na Terra.  Isto é de interesse para astrobiologists porque grande parte do metano da Terra, é proveniente de organismos vivos digerindo os seus nutrientes. Entretanto, vida não é requerida para produzir gás. Outros processos puramente geológicos, como a oxidação do ferro, também liberam metano. "Neste momento, não temos informações suficientes para dizer se a biologia ou a geologia - ou ambos - está produzindo o metano em Marte", disse Mumma. "Mas ela nos diz que o planeta ainda está vivo, pelo menos no sentido geológico. É como se Marte estivesse nos desafiando, dizendo: ei, descubra o que isso significa."

 

Se for a vida marciana microscópica que está produzindo o metano, é provável que ela resida muito abaixo da superfície, onde ainda é quente o suficiente para a água líquida existir. Água líquida, bem como fontes de energia e uma oferta de carbono, são necessárias para todas as formas conhecidas de vida.

 

"Na Terra, microorganismos crescem 2 a 3 quilômetros (cerca de 1,2 a 1,9 milhas) abaixo da bacia de Witwatersrand na África do Sul, onde a radioatividade natural divide as moléculas da água em hidrogênio molecular (H2) e oxigênio (O). Os organismos usam o hidrogênio como energia. Poderia ser possível que organismos semelhantes pudessem sobreviver por bilhões de anos abaixo da camada permanente de gelo em Marte, onde a água é líquida, radiação supre de energia, e o dióxido de carbono provê o carbono", diz Mumma.

 

"Gases, como o metano, acumulados em tais zonas subterrâneas poderiam ser liberados para a atmosfera se poros ou fissuras abertas durante as estações quentes, ligassem as zonas profundas à atmosfera nas paredes das crateras ou canyons", diz ele.

 

"Micróbios que produzem metano a partir do hidrogênio e dióxido de carbono foram uma das primeiras formas de vida na Terra", observa Carl Pilcher, diretor do Instituto de Astrobiologia da NASA que apoia parcialmente a investigação. "Se já existiu vida em Marte, é razoável pensar que o seu metabolismo poderia ter envolvido gerar metano a partir do dióxido de carbono da atmosfera marciana."

 

 

Acima: Este gráfico mostra uma forma do metano ser destruído na atmosfera marciana: as moléculas são rapidamente dividida pela radiação solar ultravioleta. Já que o metano não dura muito no ambiente marciano, qualquer metano encontrado lá deve ter sido produzido recentemente. [Animação]

 

No entanto, é possível que um processo geológico tenha produzido o metano marciano, agora ou eons atrás. Na Terra, a conversão de óxido de ferro (ferrugem) no grupo serpentina de minerais gera metano, e em Marte este processo poderia acontecer usando água, dióxido de carbono, e o calor interno do planeta. Outra possibilidade é o vulcanismo: Embora não haja provas de vulcões marcianos atualmente ativos, o antigo metano aprisionado em "gaiolas" de gelo chamadas de clatratos poderia agora estar sendo liberado.

 

A equipe encontrou metano na atmosfera de Marte observando cuidadosamente o planeta Marte ao longo de vários anos (e de todas as estações marciana) utilizando Espectrômetros ligados ao telescópio da NASA Infrared Telescope Facility, operado pela Universidade do Havaí, e ao telescópio WM Keck, ambos em Mauna Kea, Havaí.

 

"Observamos e mapeamos várias nuvens de metano em Marte, um delas liberou cerca de 19.000 toneladas métricas de metano", disse Geronimo Villanueva da Universidade Católica da América em Washington, DC. Villanueva está lotado no NASA Goddard e é co-autor do documento. "As nuvens foram emitidas durante as estações mais quentes - Primavera e Verão - talvez porque o gelo permanente que bloqueia as fissuras e fendas vaporize, permitindo o metano se infiltrar na atmosfera marciana. Curiosamente, algumas nuvens tinham vapor d'água, enquanto outras não", disse ele.

 

 

Acima: nuvens de metano encontradas na atmosfera de Marte durante o verão setentrional.Crédito: Trent Schindler / NASA [animação]

 

Segundo a equipe, as nuvens foram vistas sobre áreas que mostram evidências de terrenos com gelo ou água corrente no passado. Por exemplo, as nuvens apareceram sobre regiões do hemisfério norte como o leste da Arabia Terra, a região de Nili Fossae, e o quadrante sudeste de Syrtis Major, um antigo vulcão com 1200 quilômetros (cerca de 745 milhas) de diâmetro.

 

Ficará como tarefa para as futuras missões, como a Mars Science Laboratory, da NASA, descobrir a origem do metano marciano. Uma maneira de saber se a vida é a fonte do gás consiste nas medições isotópicas. Isótopos são versões mais pesadas de um elemento, por exemplo, deutério é uma versão mais pesada do hidrogênio. Em moléculas que contêm hidrogênio, como a água e o metano, o deutério raras vezes substitui um átomo de hidrogênio. Já que a vida prefere usar os isótopos mais leves, se o metano tiver menos deutério do que a água liberada com ele em Marte, é um sinal de que a vida está produzindo o metano.

 

Independentemente do que a investigação futura revelar - biologia ou geologia - uma coisa já está clara: Marte não está tão morto, apesar de tudo.

 

 

Editor: Dr. Tony Phillips | Crédito: Science@NASA | Tradutor: Luis Gabriel

 

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