Brasil - Quinta, 27 Julho 2017

Phoenix - Equipe da Sonda Descortina o Processo Científico

traduzido por Luis Gabriel

05 AGO 2008 - Cientistas da missão Phoenix falaram hoje sobre as pesquisas em andamento dos sais de percloreto detectados no solo analisado pelo laboratório químico a bordo do módulo de descida Phoenix da NASA.

"Encontrar percloretos não foi nem bom nem ruim para a possibilidade de vida em Marte, mas isto nos faz repensar como vemos esta questão," disse Michael Hecht, cientista chefe do Microscopy, Electrochemistry and Conductivity Analyzer (MECA), o instrumento que inclui o laboratório químico líquido, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), Pasadena, Califórnia.

 

Se confirmado, o resultado é excitante, disse Hecht, "pois diferentes tipos de sais de percloreto têm propriedades interessantes que podem levar ao modo como as coisas funcionam em Marte se -- e este é o grande "se" -- os resultados das outras duas coletas de solo forem amostras semelhantes a todo o planeta, ou pelo menos a grande parte dele."

 

A equipe da Phoenix quis confirmar o achado com outro instrumento do módulo, o Thermal and Evolved-Gas Analyzer (TEGA), que aquece o solo e analisa os gases que são emanados. Mas como este experimento no TEGA estava em andamento na semana passada, os jornais especulativos se precipitaram em divulgar que a equipe científica estava escondendo um grande achado sobre a possibilidade de vida em Marte.

 

"O Projeto Phoenix decidiu tomar um caminho incomumao falar sobre a pesquisa quando os seus cientistas estão somente no meio do caminho da fase de coleta de dados e não tiveram tempo ainda de completar a análise dos dados ou sequer executar os trabalhos de laboratório," disse o diretor de pesquisa da Phoenix Peter Smith, da Universidade do Arizona, em Tucson. Os cientistas ainda estão no estágio onde eles estão examinando múltiplas hipóteses, dadas as evidências que o solo contém percloreto.

 

"Decidimos mostrar ao público a ciência em ação devido ao extremo interesse na missão Phoenix, que está em busca de ambientes habitáveis nas planícies nortes de Marte," disse Smith. "Neste momento, não sabemos ainda se encontrar percloreto é uma boa ou uma má notícia para a possibilidade de vida em Marte."

 

O percloreto é um íon, ou partícula carregada, que consiste de um átomo de cloro rodeado por quatro átomos de oxigênio. Ele é um oxidante, isto é, ele pode liberar oxigênio, mas não tão poderoso. Percloretos são encontrados naturalmente na Terra em locais tais como o hiper-árido deserto de Atacama no Chile. Os compostos são bastante estáveis e não destroem material orgânico  sob condições  normais. Alguns microorganismos na Terra são alimentados por processos que envolvem os percloretos, e algums plantas concentram esta substância. Percloretos são também usados como combustíveis de foguete e em fogos de artifício.

 

O percloreto foi descoberto com um sensor multi-uso que detecta percloreto, nitrato e outros íons.  A equipe do MECA viu o sinal do percloreto em uma amostra retirada da vala Dodo-Goldilocks (Dodo-Cachinhos Dourados em português) em 25 de junho, ou Sol 30, ou o 30º dia marciano da missão após o pouso, e novamente numa amostra retirada da vala Snow White (Branca de Neve em português) em 6 de julho, ou Sol 41.

  

Vala "Snow White (Branca de Neve)"

Esta imagem foi obtida pela Phoenix em 8 JUL 2008. Mostra a vala chamada informalmente de White Snow (Branca de Neve). Duas amostras foram entregues ao Laboratório Químico Líquido, que é parte do instrumento MECA.
Crédito: NASA/JPL-Calech/University of Arizona

 

Quando o TEGA aqueceu uma amostra do solo retirado da vala Dodo-Goldilocks em Sol 25 em altas temperaturas, ele detectou uma liberação de oxigênio, disse o cientista chefe do TEGA William Boynton da Universidade do Arizona. O percloreto poderia ser uma das muitas fontes possíveis deste oxigênio, ele disse.

 

No final da semana passada, quando o TEGA analisou outra amostra, esta da vala Snow White, a equipe do TEGA buscava encontrar gás de cloro. O instrumento nada detectou.

 

"Se nós o tivéssemos encontrado, a identificação do percloreto seria absolutamente clara, mas desta vez nós não encontramos nenhum traço do gás de cloro. Nós poderíamos estar analisando um sal de percloreto que não libera gás de cloro após ser aquecido, disse Boynton. "Não há nada nos dados do TEGA que contradiga o achado de percloretos pelo MECA."

 

À medida que a equipe da Phoenix continue sua investigação do solo ártico, o instrumento TEGA tentará validar a descoberta do percloreto e determinar sua concentração e propriedade.

 

Texto traduzido por Luis Gabriel

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