Brasil - Segunda, 27 Fevereiro 2017

Cassini - Iapetus a Velha Lua de Saturno Mantém a sua Cara de Jovem

17 JUL 2007 - A característica lua de Saturno Iapetus está criogenicamente congelada no que seria a sua adolescência. A lua reteve sua juventude e sua cintura larga de 3 bilhões de anos atrás, relatam os cientistas.

"Iapetus girava rápido, congelou jovem, e deixou para trás um corpo com curvas duradouras," disse Julie Castillo, cientista da Cassini no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, Pasadena, Califórnia.

Diferente de qualquer outra lua no sistema solar, Iapetus hoje tem a mesma forma de quando ela só tinha poucas centenas de milhões de anos de idade; uma relíquia bem preservada do tempo que o sistema solar era jovem.

A Cassini sobrevoou Iapetus no início de 2005 e descobriu que a lua tinha a forma de uma noz, saltada em sua seção central. Sobre esta seção existe uma cadeia de montanhas localizada exatamente ao longo do equador.

Iapetus vista pela Cassini no final de 2004
Na noite de reveillon de 2004, a Cassini sobrevoou a intrigante lua de Saturno Iapetus.
Créditos: NASA/JPL/Space Science Institute


Cientistas acreditam agora que a elevação no equador da lua e baixa velocidade de rotação apontam para o aquecimento de elementos radioativos há muito extintos, porém presentes quando o sistema solar nasceu.

"Nós modelamos como Iapetus formou sua grande elevação gerada pela rotação, e porque sua rotação diminui para o período atual de 80 dias. Como um bonus inesperado, Iapetus nos contou sua idade," disse Dennis Matson, cientista do projeto Cassini no JPL. "Seria esperado que uma lua com um período de rotação muito alto tivesse esta elevação, mas não uma lua de baixo período de rotação, já que a elevação seria bem mais achatada."

Os cientistas calcularam que Iapetus inicialmente girava muito rápido -- pelo menos cinco horas, mas menos que 16 horas por revolução. A rápida rotação deu à luaum formato oblongo que aumentou a área de superfície (do mesmo modo que a área de superfície de um balão se estende quando um balão é pressionado numa forma oblonga). Na época que a rotação diminuiu para um período de 16 horas, a camada externa da lua congelou. Além disto, a área da superfície da lua gelada agora era menor. O material da superfície em excesso estava muito rígido para voltar para o interior da lua. Ao invés disto, ele se acumulou em uma cadeia de montanhas no equador.

"O desenvolvimento de Iapetus literalmente parou no tempo," disse Castillo. "A fim de que as forças gravitacionais reduzissem Iapetus para o seu atual período de rotação, seu interior tinha que estar mais quente, próximo ao ponto de derretimento da água congelada." O desafio em desenvolver um modelo de como Iapetus tornou-se "congelado no tempo" foi feito pela dedução de como ele tornou-se quente o suficiente para formar inicialmente a elevação, e imaginar qual foi a causa da sua fonte de calor ter cessado, deixando Iapetus congelar.

A fonte de calor tinha que ter um ciclo de vida limitado, para permitir que a crosta da lua rapidamente se tornasse congelada e mantivesse sua forma imatura. Após observar vários modelos, os cientistas concluíram que o calor vinha de suas rochas, que continham os isótopos radioativos de vida curta alumínio-26 e ferro-60 (que decaem muito rapidamente numa escala de tempo geológica). Já que estes elementos decaem numa taxa conhecida, isto permitiu aos cientistas a calcular a idade de Iapetus usando o alumínio-26 ao invés do carbono. Os cientistas estimam que Iapetus tenha grosseiramente 4,564 bilhões de anos.

Evidências destes mesmos isótopos (alumínio-26 e ferro-60) foram encontrados em meteoritos formados no interior do sistema solar. Portanto, existe a possibilidade de comparar a cronologia inicial do exterior do sistema solat com outros objetos do interior do sistema solar, tais como a Terra, a lua da Terra e asteróides.

"Esta é a primeira evidência direta da história da rotação inicial de um satélite no sistema solar externo. Isto nos ensina mais sobre como a velocidade da rotação do corpo influenciou sua evolução, e amplia o nosso conhecimento da história dos primórdios dos satélites dos planetas exteriores," disse Mateson.

O próximo encontro de da Cassini com Iapetus será em 10 SET 2007, a 1.000 quilômetros (620 milhas) da superfície.

Texto traduzido do site http://saturn.jpl.nasa.gov


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