Brasil - Sexta, 24 Março 2017

Viagem aos Asteróides Gigantes

15 JUN 2007 - O Cinturão de Asteróides entre Marte e Júpiter é como um velho sótão bagunçado do sistema solar. Os objetos empoeirados e esquecidos lá são relíquias de muito tempo atrás, cada asteróide com sua própria história para contar sobre os primórdios do sistema solar.

Estas são histórias que os cientistas planetários querem ouvir. Muito pouco é conhecido sobre o passado distante do nosso sistema solar. Nós aprendemos a história básica na escola: Um vasto disco de gás e poeira em torno do sol lentamente se aglomerando em pedaços cada vez maiores, eventualmente formando os planetas que hoje conhecemos. Mas como isto aconteceu exatamente, e porque isto produziu estes tipos de planetas, incluindo um certo planeta azul bem adequado à vida?

 

Para responder estas perguntas, a NASA planeja lançar uma sonda robótica chamada Dawn (alvorecer em português). Sua missão: Voar até dois asteróides gigantes, Ceres e Vesta, e explora-los de perto pela primeira vez. A decolagem está marcada para Julho de 2007.

 

Vesta para começar

A primeira parada da Dawn é Vesta - um asteróide que pode comprovar a existência de supernovas no nascimento do sistema solar.

 

Observações telescópicas de Vesta e estudos de meteoritos que acredita-se terem vindo de Vesta sugerem que o asteróide pode ter sido derretido nos primórdios de sua história, fazendo com que elementos pesados como o ferro afundassem e formassem um denso núcleo com uma pequena crosta em cima.

 

"Isto é interessante -- e um pouco intrigante," disse Chris Russell, Investigador Principal da Dawn na Universidade da Califórnia em Los Angeles. O derretimento requer uma fonte de calor tal como a energia gravitacional liberada quando o material se junta para formar um asteróide. Entretanto, Vesta é um mundo pequeno -- "muito pequeno," ele diz -- com somente cerca de 530km de diâmetro em média. "Não haveria energia gravitacional suficiente para fundir o asteróide quando ele se formou."

 

Uma supernova (ou duas) pode fornecer a explicação: Alguns cientistas acreditam que quando Vesta se formou inicialmente, ela era "temperada" com alumínio-26 e ferro-60 criados possivelmente por duas supernovas que explodiram por volta da época do nascimento do sistema solar. Estas formas de alumínio e ferro são isótopos radioativos que poderiam ter fornecido o calor extra necessário para fundir Vesta. Uma vez que estes isótopos radioativos decaíram, o asteróide poderia ter esfriado e solidificado ficando na forma que se encontra atualmente.

Imagem de Vesta obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA em maio de 1996 quando o asteróide estava a 110 milhões de milhas da Terra.
Crédito: Ben Zellner (Georgia Southern University), Peter Thomas (Cornell University) and NASA

 

 

 

Esta idéia explicaria porque a superfície de Vesta parece apresentar marcas de fluxos de lava basáltica antigas e oceanos de magma, muito parecido com a lua da Terra. As supernovas também mudariam a sequência de eventos envolvidos na formação planetária:

 

"Quando eu fui para a escola, pensava-se que a Terra se formou sozinha, se aqueceu, e o ferro foi para o centro e os silicatos flutuavam na superfície, produzindo um evento de formação do núcleo," disse Rusell. Esta visão assume que planetóides menores que colidiram e se misturaram para formar a Terra eram massas amorfas que não tinham ainda formado seus próprios núcleos de ferro. Mas se pedaços de rocha com o tamanho de Vesta puderam derreter e formar núcleos densos, "isto afetaria o modo que os planetas e seus núcleos evoluíram e cresceram."

 

Se tudo correr como o planejado, Dawn irá chegar em Vesta e entrar em órbita em outubro de 2011. Imagens detalhadas da superfície de Vesta irá revelar traços de seu passado derretido, enquanto os espectrômetros catalogarão os minerais e elementos que formam sua superfície. O campo gravtacional de Vesta será mapeado pelos movimentos da própria Dawn enquanto a sonda orbita o asteróide, e isto determinaria de uma vez por todas se Vesta tem ou não um núcleo ferroso.

 

A Caminho de Ceres

Após orbitar Vesta por 7 meses, a Dawn irá tentar uma manobra nunca antes tentada: deixar a órbita de um corpo distante, e voar para outra órbita.

 

Este tipo de "salto de asteróides" seria praticamente impossível se a Dawn usasse combustível convencional de foguete. "Nós precisaríamos dos maiores foguetes que os EUA tem para carregar todo o propelente," disse Marc Rayman, Engenheiro de Sistemas do Projeto Dawn do Laboratório de Propulsão a Jato. Ao invés disto, a Dawn usa propulsão iônica, que requer somente um décimo de todo o propelente. Os motores da Dawnforam testados numa espaçonave experimental conhecida como Deep Space 1 (em português Espaço Profundo 1, gerenciada pelo programa Novo Milênio da NASA.

 

Os motores iônicos eficientes da Dawn irão empurrar a nave de Vesta, chegando em Ceres por volta de fevereiro de 2015.

Ceres visto pelo Hubble

Imagem de Ceres obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA em 30 de dezembro de 2003.
Créditos: NASA, ESA, J. Parker (Southwest Research Institute), P. Thomas (Cornell University), L. McFadden (University of Maryland, College Park), and M. Mutchler and Z. Levay (STScI)

 

 

 

 

Medindo 950 km de diâmetro, Ceres é de longe o maior objeto no cinturão de asteróides. Extraordinaraimente, ele não um mundo rochoso como Vesta, mas sim coberto de gelo ed água. "Ceres irá ser uma grande supresa para nós," disse Russell.  Devido aparentar que possui uma camada de gelo com algo em torno de 60 e 120 km de espessura, a superfície de Ceres provavelmente mudou mais dramaticamente ao longo do tempo que a de Vesta, apagando muito de sua história recente. Mas enquanto Ceres não pode fornecer uma janela para o passado da formação planetária, ele poderá ensinar aos cientistas sobre o papel que a água desempenhou na evolução planetária desde então. Por exemplo, por quê algunsmundos rochosos como Ceres e Terra abrigam uma grande quantidade de água, enquanto outros, como Vesta, terminaram secos?

 

"Vesta nos dirá sobre o passado longínquo, e Ceres irá nos falar sobre o que aconteceu depois," disse Russell. Juntos, eles oferecem duas histórias singulares do passado do nosso sistema solar e muitas lições sobre como os planetas se formaram.

 

Texto traduzido do site da NASA (http://science.nasa.gov)


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