Brasil - Segunda, 27 Fevereiro 2017

Marte - A Spirit Revela Surpreendente Evidência de um Passado Molhado

Pasadena, Califórnia - Um pedaço de solo marciano analisado pelo robô da NASA Spirit é tão rico em silício que ele pode fornecer uma das mais fortes evidências até hoje de que no passado o planeta Marte teve muito mais água que nos dias de hoje. Os processos que poderiam ter produzido um depósito tão concentrado de silício requer a presença de água.

Membros da equipe de ciências do robô ouviram de um colega durante uma recente teleconferência que o espectrômetro de raios-X de partícula alfa, um analizador químico na ponta do braço mecânico da Spirit, tinha medido uma composição de cerca de 90 porcento de puro silício nesta amostra de solo.

 

 "Você podia ouvir as pessoas englindo seco com o espanto," disse Steve Squyres da Universidade de Cornell, Ithaca, NY, investigador principal dos instrumentos científicos dos robôs exploradores de Marte. "Esta é uma descoberta marcante. E o fato de termos encontrado algo novo e diferente após quase 1.200 dias em Marte o torna ainda mais marcante. Isto nos faz imaginar o que mais ainda há por lá."

 

O espectrômetro de emissão térmica miniatura observou o pedaço de solo, e Steve Ruff  da Universidade Estadual do Arizona, Tempe, notou que seu espectro mostrava um alto teor de silício. O time então decidiu estudar mais detalhadamente esta porção do solo e os depósitos vizinhos.

 

Explorando uma estreita faixa de elevações dentro de uma cratera do tamanho de Connecticut chamada Gusev, a Spirit já havia encontrado anteriormente neste local outros indícios de água no passado, tais como pedaços do solo rico em enxofre e com marcas de fluxo d'água; alteração de minerais; e evidências de vulcanismo explosivo.

 

"Esta é uma das melhores evidências sobre água que a Spirit encontrou na cratera Gusev," disse Albert Yen, um geoquímico do Laboratório de Propulsão a Jato, Pasadena, Califórnia. Uma possível origem para o silício poderia ter sido a interação do solo com vapores ácidos produzidos por atividade vulcânica na presença de água. Outra poderia ter sido água em um ambiente de temperaturas quentes. Esta última descoberta adiciona novas evidências sobre condições no passado que podem ter sido favoráveis ao aparecimento de vida, de acordo com membros do time científico.

 

David Des Marais, um astrobiólogo no Centro de Pesquisas Ames da NASA, em Moffet Field, Califórnia, disse, "O mais excitante é o que isto pode nos dizer sobre ambientes que tem similaridades a lugares na Terra que são propícios para organismos." 

Solo rico em silício encontrado pela Spirit

A Spirit e seu irmão gêmeo, Opportunity, completaram sua missão original de três meses em abril de 2004. Ambas ainda estão operando, embora já mostrem sinais da idade. Uma das seis rodas da Spirit já parou de rodar, de forma que ela deixa um sulco profundo no solo por onde passa.  Este problema tem exposto vários pedaços de solo brilhante, levando a algumas das maiores descobertas na cratera Gusev, incluindo esta recente.

 

Doug McCuistion, diretor na NASA do Programa de Exploração de Marte, disse, "Esta nova descoberta inesperada é uma lembrança que a Spirit e a Opportunity estão fazendo ainda explorações detalhadas mais que três anos após o início de sua missão estendida. Isto também reforça o fato que significativas quantidades de água estiveram presente em Marte no passado, e coninua nos dando esperanças que possamos mostrar que Marte foi uma vez habitável e possivelmente suportou vida."

 

Texto traduzido do original postado no site da NASA


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