Brasil - Segunda, 27 Fevereiro 2017

Cassini - Descoberta evidência de água líquida em Enceladus

A espaçonave Cassini da Nasa pode ter achado evidência de reservatórios de água líquidos que são ejetados de dentro de gêiseres na lua de Saturno Enceladus. A rara ocorrência de água líquida tão próxima à superfície levanta muitas novas perguntas sobre esta misteriosa lua.

"Nós percebemos que esta é uma conclusão radical - que podemos ter evidência de água líquida dentro de um corpo tão pequeno e tão frio", disse a Dra. Carolyn Porco, líder da equipe de imagens da Cassini no Instituto de Ciência Espacial, Boulder, Colorado. "Porém, se nós tivermos razão, nós ampliamos significativamente a diversidade de ambientes no sistema solar onde poderíamos ter condições adequadas para existir organismos vivos". 
 

Imagens de alta-resolução da Cassini mostram jatos frios e nuvens muito altas que lançam grandes quantidades de partículas em alta velocidade. Cientistas avaliaram vários modelos para explicar o processo. Eles descartaram a idéia de que as partículas são produzidas ou ejetadas para a superfície da lua pelo vapor criado quando o gelo de água aquecido é convertido em gás. Ao invés disto, os cientistas acharam evidência para uma possibilidade muito mais excitante -- os jatos poderiam estar sendo ejetados de bolsões próximos à superfície de água líquida acima de 0 graus centígrados (32 graus Fahrenheit), como se fossem versões frias dos gêiseres em Yellowstone.
 

"Nós conhecíamos anteriormente três lugares onde havia vulcanismo ativo: a lua de Júpiter Io, a Terra, e possivelmente a lua de Netuno Tritão. A Cassini mudou tudo isto, tornando Enceladus o mais recente sócio deste clube muito exclusivo, e um dos lugares mais excitantes no sistema solar", disse John Spencer, cientista da Cassini, no Instituto de Pesquisa do Sudoeste, Boulder. 
 

"Outras luas no sistema solar têm oceanos de água líquida cobertos por quilômetros de crosta fria", disse Andrew Ingersoll, membro da equipe de imagem e cientista atmosférico no Instituto de Tecnologia da Califórnia, Pasadena, Califórnia. O que é diferente aqui é que os bolsões de água líquida podem estar não mais do que dezenas de metros abaixo da superfície."
 

Outras particularidades não explicadas agora fazem sentido. "Quando a Cassini chegou em Saturno, nós descobrimos que o sistema saturniano está cheio de átomos de oxigênio. Na ocasião nós não tínhamos nenhuma idéia de onde o oxigênio estava vindo,” disse Candy Hansen, cientista da Cassini no Laboratório de Jato Propulsão da Nasa (JPL) em Pasadena. "Agora nós sabemos que Enceladus está ejetando moléculas de água que estão se dividindo em oxigênio e hidrogênio."
 

Cientistas ainda têm muitas perguntas. Por que Enceladus é tão ativo? Existem outros locais de Enceladus que estão ativos? Esta atividade terá sido contínua o suficiente ao longo da história da lua para que haja uma chance de haver vida no interior da lua? 
 

Na primavera de 2008, cientistas terão outra chance de olhar para Enceladus quando a Cassini passar a 350 quilômetros (aproximadamente 220 milhas), mas muito trabalho ainda está por vir depois que a missão principal de quatro anos da espaçonave terminar. 
 

“Não há duvida, que junto com Titã, Enceladus deveria ter uma alta prioridade para nós. Saturno nos deu dois mundos excitantes para explorar", disse Jonathan Lunine, cientista interdisciplinar da Cassini, na Universidade do Arizona, Tucson, Arizona. 
 

Cientistas da missão informam estes e outros resultados de Enceladus na edição desta semana da revista Science. A missão Cassini-Huygens é um projeto conjunto da NASA, Agência Espacial Européia e a Agência Espacial Italiana. 
 

JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, administra a missão Cassini-Huygens. O orbitador Cassini foi projetado, desenvolvido e montado no JPL.

 

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