Brasil - Segunda, 27 Fevereiro 2017

Velho Robô Surpreendentemente Reflete Feixes de Laser para a Terra

traduzido por Luis Gabriel

03 JUN 2010 - Um robô soviético perdido nas planícies empoeiradas da Lua durante os últimos 40 anos foi encontrado novamente, e ele está retornando pulsos laser surpreendentemente fortes para a Terra.

"Nós enviamos um feixe de laser para a posição da Lunokhod 1, e ficamos estupefatos com o poder da reflexão", disse Tom Murphy da UC San Diego, que lidera a equipe de investigação que está colocando o velho robô de volta ao trabalho.

Parece que uma criatura de ficção científica, mas Lunokhod 1 é real. Foto: Associação Lavochkin
Acima: Parece que uma criatura de ficção científica, mas Lunokhod 1 é real. Foto: Associação Lavochkin

Quase esquecido na saga da corrida espacial da era Apollo, o Lunokhod 1 foi um dos maiores sucessos do velho programa de exploração lunar soviético. Em 1970, a revista Time descreveu o histórico desembarque do robô:

 "Três horas depois de chegar à Lua a bordo da mais recente sonda lunar russa não tripulada, a Luna 17, o Lunokhod I (literalmente "andarilho da lua") desceu por uma das duas rampas estendidas pela nave-mãe e moveu-se para a frente... tomando assim o primeiro passo gigante para os robôs em um outro corpo celeste."

O robô de controle remoto percorreu quase sete milhas (10,5 km) durante sua excursão lunar de 11 meses, transmitindo milhares de imagens de televisão e centenas de panorâmicas de alta resolução da Lua para a Terra. Ele também recolheu e analisou o solo lunar em 500 pontos.

Então o Lunokhod-1 foi perdido - até o mês passado, quando o orbitador Lunar Reconnaissance da NASA o encontrou novamente.

Em 22 de abril, Murphy e sua equipe enviaram pulsos de luz laser a partir do telescópio de 3,5 metros do Observatório Apache Point no Novo México, atingindo no alvo as coordenadas fornecidas pelo Orbitador Lunar Reconnaissance. Um refletor laser no Lunokhod 1 interceptou os pulsos e enviou um sinal claro de volta à Terra.

"Recebemos cerca de 2.000 fótons do Lunokhod 1 em nossa primeira tentativa. Depois de quase 40 anos de silêncio, este robô tem muito a dizer", observa Murphy.

No final dos anos 60 e início dos anos 70, os astronautas da Apollo colocaram outros três refletores na Lua para permitir a medição com laser da órbita da Lua. Ajudado por um quarto refletor no Lunokhod 2, um gêmeo do Lunokhod 1, que desembarcou em 1973, esses espelhos constituem a única experiência cientíifica da Apollo ainda em funcionamento.

Eric Silverberg, agora aposentado da Universidade de Texas, era responsável pelas atividades de medição do laser lunar no Observatório McDonald, de 1969 até 1982. "Durante esse tempo", lembra ele, "medimos os três  refletores de canto da Apollo e o refletor do Lunakhod 2. Tentamos também medir o primeiro robô lunar, mas tivemos apenas uma possível (mas não definitiva) detecção em 31 de dezembro de 1970. Nossa falta de conhecimento da localização do robô e as pressões de acompanhar o programa Apollo nos levou a finalmente perder o interesse no Lunakhod 1."

direita: medição laser lunar desde o Observatório McDonald
. Foto: NASA

"Quando eu li que Tom Murphy tinha descoberto que o robô perdido ainda respondia, fiquei muito surpreso e contente", disse Silverberg.

A reação inicial de Murphy foi de descrença: "O sinal era tão forte, que meu primeiro pensamento foi de que o nosso detector estava funcionando mal! Eu esperava que o refletor do robô estivesse degradado e embaçado depois desse tempo todo, então eu pensei, 'isto não poderia ser ele.' Mas era."

"Este refletor está suficientemente forte ainda para nos deixar fazer medições durante o dia lunar - pela primeira vez neste experimento!"

Silverberg continua: "O fato de que a reflexão do Lunokhod 1 está mais forte agora do que seu gêmeo é um mistério. Isto pode trazer pistas importantes a respeito de porque todos os refletores estão mais fracos do que estavam na primeira década após o desembarque."

Com o Lunokhod de volta ao trabalho, o estudo da medição laser pode chegar até a velocidade máxima pela primeira vez.

Os cientistas estão usando a medição laser para trabalhar duro na teoria da gravidade de Einstein "para ver se nós podemos quebrá-la", disse Murphy.

"Nosso telescópio emite pulsos laser que a viajam da Terra à Lua e pingam nos refletores. Como eles todos são refletores cúbicos de canto, eles enviam o pulso direto de volta de onde veio. Nós colhemos a maior quantidade de fótons possíveis que retornam."

direita: prismas cúbicos de canto retornam toda luz incidente de volta exatamente na direção de onde ela veio.

O tempo de viagem de ida e volta determina a distância Terra-Lua. Com medições repetidas, ao longo de meses e anos, os cientistas podem traçar a órbita da Lua com precisão milimétrica.

A teoria da gravidade de Einstein (Teoria da Relatividade Geral) sustenta que a massa e energia em objetos massivos como o Sol fazem o espaço curvar, e esta curva diz aos objetos ao redor do corpo massivo como se mover. A curvatura realmente faz a Terra e a Lua caírem em direção ao Sol.

Ao medir a queda da Lua no espaço-tempo curvo, a Operação de Medição por Laser Lunar do Observatório Apache Point - abreviado em inglês como APOLLO - ainda pode encontrar uma rachadura no grande edifício da Relatividade Geral de Einstein.

Até agora, os resultados das medidas lunares apoiam Einstein. Mas um velho robô engraçado pode brilhar, ou pelo menos refletir, uma nova luz sobre o assunto.

Autor: Dauna Coulter | Editor: Dr. Tony Phillips | Crédito: Science @ NASA | Tradução: Luis Gabriel

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