Brasil - Quinta, 27 Abril 2017

Voyager Celebra 20 anos do Cartão de Dia dos Namorados para o Sistema Solar

traduzido por Luis Gabriel

12 FEV 2010 -   Vinte anos atrás, em 14 de fevereiro, a espaçonave Voyager 1 da Nasa navegou para além do planeta mais afastado do nosso sistema solar e voltou sua câmera para dentro para tirar uma série de imagens finais do que seria seu presente de Dia dos Namorados para a seqüência de planetas que ela chamava de lar.

Acima: Estas seis imagens coloridas (esq. p/ dir.: Vênus, Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) em ângulo fechado foram feitas para o primeiro "retrato" do sistema solar tirado pela Voyager 1, que estava a mais de 6 bilhões de quilômetros da Terra e cerca de 32 graus acima da eclíptica. Crédito: NASA/JPL

 
Mercúrio estava demasiado perto do sol para ver, Marte mostrou-se apenas como um crescente fino de luz solar, e Plutão estava muito fraco, mas a Voyager foi capaz de captar imagens de Netuno, Urano, Saturno, Júpiter, Vênus e Terra a partir do seu ponto de vista único. Estas imagens, mais tarde dispostas em um mosaico de grande escala, compuseram o único retrato de família dos nossos planetas acompanhados do Sol.

 

As missões Apollo na década de 1960 e 70, já haviam alterado o nosso ponto de vista da Terra, a partir das imagens de nosso planeta visto da Lua, mas a Voyager estava dando uma perspectiva completamente nova, disse Ed Stone, cientista do projeto Voyager no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena.

  

"Ele capturou a Terra como um pontinho de luz na imensidão do sistema solar, que é a nossa vizinhança local na galáxia Via Láctea, em um universo repleto de galáxias", disse Stone.

 

Ao longo dos anos desde que as naves gêmeas Voyager foram lançadas em 1977, elas já tinham mandado fotos de tirar o fôlego e inovadoras dos gigantes de gás Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Demorou mais de 12 anos para a Voyager 1 chegar ao lugar onde ele tirou o retrato do grupo, 6 bilhões de quilômetros (quase 4 bilhões de milhas) de distância do sol. A equipe de imagem começou a tirar as imagens dos planetas exteriores primeiro porque estavam preocupados que ao apontar a câmera perto do Sol eles poderiam cega-la, impedindo que mais fotos fossem tiradas.

 

Candy Hansen, uma cientista planetária baseado no Jet Propulsion Laboratory da NASA em Pasadena, Califórnia, que trabalhou com a equipe de imagem da Voyager na época, lembra-se de vasculhar as imagens e, finalmente, encontrar a imagem da Terra. Ela tinha visto tantas fotos ao longo dos anos que podia distinguir poeira nas lentes de pontos pretos impressos na lente para correção geométrica.


Lá estava nosso planeta, uma mancha brilhante no meio de uma espécie de holofote de luz solar espalhada pela câmera. Hansen ainda se arrepia ao pensar nisso.

 

 "Fiquei chocada de ver como a Terra era especial, e como eu a vi brilhando em um raio de sol", disse ela. "Ela também me fez pensar sobre o quão vulnerável é o nosso pequeno planeta".

 

Esta foi a imagem que inspirou Carl Sagan, o membro da equipe de imagem da Voyager que sugeriu fazer esse retrato, a chamar o nosso planeta natal de "um pálido ponto azul".

 

Como ele escreveu em um livro com esse nome, "É aqui. É nossa casa. Somos nós. Nela todos que você ama, todos que você conhece, todos que você nunca ouviu falar, cada ser humano qualquer que seja, vive a sua vida. ... Não há, talvez, nenhuma melhor demonstração da tolice das vaidades humanas do que esta imagem distante de nosso pequeno mundo. "

Após essas imagens terem sido tiradas, os gerentes da missão começaram a desligar as câmeras. A nave não estava indo em direção a qualquer outro objeto, e outros instrumentos que ainda estavam coletando dados precisavam de energia para a longa viagem ao espaço interestelar que estava por vir.

As Voyager estão ainda transmitindo dados diariamente para a Terra. A Voyager 1 está agora a aproximadamente 17 bilhões de quilômetros (mais de 10 bilhões de milhas) de distância do Sol. A nave continuou em direção à próxima etapa de sua missão interestelar, aproximando-se dos limites da bolha criada pelo Sol e que envolve todos os planetas. Os cientistas esperam ansiosamente o momento em que as Voyagers vai deixar esta bolha e entrar no espaço interestelar.

"Ficamos maravilhados com a vastidão do espaço quando este retrato foi tirado, mas 20 anos depois, ainda estamos dentro da bolha", disse Stone. "A Voyager 1 pode deixar a bolha solar em mais cinco anos, mas o retrato de família nos dá uma noção da dimensão da nossa vizinhança e que há muito além dela ainda a ser descoberto."

Editor: Jia-Rui C. Cook | Crédito: JPL | Texto traduzido por Luis Gabriel

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