Brasil - Quinta, 22 Junho 2017

LCROSS Localiza água na Lua

traduzido por Luis Gabriel

13 NOV 2009 -  O argumento de que a Lua é um local seco e desolado não pode mais ser usado. Numa conferência de imprensa de hoje, os pesquisadores revelaram dados preliminares da LCROSS, indicando que existe água em uma cratera lunar que está permanentemente nas sombras. A descoberta abre um novo capítulo na nossa compreensão sobre a lua.

Acima: imagens visíveis da câmera mostrando o jorro ejetando-se, cerca de 20 segundos após o impacto. Crédito: NASA/LCROSS

 
"Estamos muito satisfeitos", disse Anthony Colaprete, cientista do projeto LCROSS e pesquisador-chefe do Ames Research Center da NASA em Moffett Field, Califórnia

 

A nave espacial LCROSS (sigla em inglês para Satélite de Sensoriamento e Observação de Crateras Lunares) e último estágio do foguete lançador (Centauro), fizeram impactos similares na cratera Cabeus perto do pólo sul da Lua em 9 de outubro. Um jorro de detritos viajou em um ângulo alto para além da borda da cratera Cabeus na direção da luz do sol, enquanto uma cortina suplementar de detritos foi ejetada mais lateralmente.

  

"Várias linhas de evidência mostraram que havia água tanto no jorro de vapor de alto ângulo assim como na cortina ejetada, ambas criadas pelo impacto do Centauro", disse Colaprete. "A concentração e a distribuição da água e de outras substâncias requer uma análise mais aprofundada, mas é seguro dizer que existe água em Cabeus."

 

Desde os impactos, a equipe de ciências da LCROSS está analisando a enorme quantidade de dados coletados pela nave espacial. A equipe concentrou-se em dados dos espectrômetros do satélite, que fornecem as informações mais definitivas sobre a presença de água. Um espectrômetro ajuda a identificar a composição dos materiais examinando a luz que emitem ou absorvem.

 

A equipe observou as conhecidas assinaturas espectrais no infravermelho próximo da água e de outros materiais, e as compararam com a assinatura do impacto que o espectrômetro de infravermelho próximo da LCROSS coletou.


"Fomos capazes de casar os espectros a partir dos dados da LCROSS somente quando inserimos o espectro da água", disse Colaprete. "Nenhuma outra combinação razoável de outras substâncias que tentamos condiziam com as observações. A possibilidade de contaminação da Centauro também foi descartada."

Direita: Os dados do espectrômetro de infravermelho próximo da LCROSS obtidos 20 a 60 segundos após o impacto do estágio Centauro. A curva suave corresponde a um modelo contendo água e outras substâncias - algumas delas permanecem não identificados. Crédito: NASA

 

A confirmação adicional veio de uma emissão no espectro ultravioleta que foi atribuído à hidroxila (OH), um produto derivado da quebra da molécula de água pela luz solar.

 

Dados de outros instrumentos da LCROSS estão sendo analisados em busca de pistas adicionais sobre o estado e a distribuição do material no local do impacto. A equipe de ciências da LCROSS e colegas estão debruçados sobre os dados para compreender o evento de impacto inteiro, desde o choque até a cratera. O objetivo é entender a distribuição de todos os materiais dentro do solo no local do impacto.

 

"A compreensão completa dos dados da LCROSS pode levar algum tempo. Os dados são muito ricos", disse Colaprete. "Junto com a água em Cabeus, há indícios de outras substâncias intrigante. As regiões da Lua permanentemente nas sombras são verdadeiras armadilhas geladas, coletando e preservando os materiais ao longo de bilhões de anos."

 

Editor: Dr. Tony Philips | Crédito: Science @ NASA | Texto traduzido por Luis Gabriel

Anúncios





Notícias
Direitos Reservados | Astronomia na Web 1996-2017